ECONOMIA ANTES E DURANTE A
REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917
A
economia do país era predominantemente rural, com ênfase na produção de trigo.
Mais de 80% da população morava no campo, sendo constituída, em sua maioria,
por camponeses pobres que, até 1861, viviam submetidos ao regime de servidão.
Mesmo depois da abolição legal da servidão, as condições de vida desses
camponeses não melhorarem: faltavam técnicas adequadas para o plantio, e a
produção agrícola era insuficiente para atender as necessidades da população.
É os senhores feudais não
tinham o menor interesse de modernizar as plantações.
O país
era governado pelo Czar (Imperador), que tinha poder absoluto, ou seja, todos
estavam submetidos a ele, inclusive a Igreja Católica Ortodoxa.
Entre
os anos de 1854 e 1856, a Rússia entrou em guerra com a Inglaterra, França e
Turquia (Guerra da Criméia), mas foi derrotada justamente por causa do atraso econômico
em que se encontrava o país.
Então, o czar Alexandre II tomou algumas
providências:
- Aboliu a servidão
- Vendeu terras aos camponeses
- Mandou ocupar novas áreas agrícolas
Tudo
isso trouxe benefícios para o país que cresceu e se tornou exportador de grãos,
além de ter favorecido o aumento da população. Esse aumento trouxe algumas
consequências graves, como por exemplo, a dificuldade de se encontrar emprego e
a baixa produtividade agrícola gerando fome e revolta.
INDUSTRIALIZAÇÃO
A saída
encontrada pelo governo para sair daquela crise, foi estimular um programa de
industrialização, isso permitiu que muitos estrangeiros fossem para a Rússia e
várias fábricas foram implantadas, consequentemente entre os anos de 1880 e
1900 e Rússia apresentou as maiores taxas de crescimento industrial.
Os investimentos industriais foram
concentrados em centros urbanos populosos, como Moscou, São Petersburgo, Odessa
e Kiev. Nessas cidades formou-se um
operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários
miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 horas de trabalho.
Enquanto o
país se modernizava o absolutismo continuava intacto e isso causava
descontentamento entre a população que se unia cada vez mais.
Em 1904 a
Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão. Este conflito desorganizou a
economia piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da
derrota acirrou os ânimos contra o czar. No ano seguinte, os habitantes saíram
em uma passeata a fim de entregar um abaixo-assinado ao Imperador pedindo
melhoras nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar
respondeu com um massacre promovido por suas tropas, aumentando ainda mais a
revolta do povo.
Apesar de
tudo, ele fez algumas concessões e dentre elas estava a instalação do
parlamento (Duma).
Entre os anos de 1907 e 1914, a Rússia voltou a ter uma
aparente tranquilidade, pois houve uma alta no crescimento industrial e os
camponeses ganharam terras.
BOLCHEVIQUES E MENCHEVIQUES
Grande
parte da oposição era socialista e se baseava nas ideias de Karl Marx, eles acreditavam que todos os
problemas do país só acabariam se o capitalismo fosse abolido e o comunismo
fosse implantado. Os comunistas se dividiam em dois grupos: Bolcheviques e
Mencheviques.
- Bolcheviques: queriam derrubar o czarismo pela força, eram
liderados por Lênin.
- Mencheviques: propunham a implantação do socialismo através
de reformas moderadas.
O GOVERNO PROVISÓRIO
A deposição
do Imperador não trouxe tranquilidade aos russos, pelo contrário, o conflito
passou a se dar entre os elementos da oposição. Com a derrubada do czar, o
governo provisório (cujos membros se identificavam com os interesses da
burguesia russa) assumiu o poder. Esse governo adotou algumas medidas, como:
- Anistia para presos políticos
- Liberdade de imprensa
- Redução da jornada de trabalho para 8h.
Estas
medidas agradaram à burguesia, mas os camponeses (queriam terras) e operários
(queriam melhores salários) não gostaram. Assim então aos poucos os
bolcheviques, aos poucos, se tornaram os porta-vozes de todas essas
reivindicações.
Os
sovietes eram organizações políticas que nasceram no seio das camadas populares
e representavam os interesses dos trabalhadores. Assim, havia os sovietes de
operários, de camponeses e de soldados. Expressavam uma forma de poder popular
em oposição ao governo provisório e se tornaram decisivos nos rumos políticos
do país.
Lênin
apoiado pelos sovietes e por uma milícia popular conquista a capital obrigando
o governo provisório a renunciar e assumindo o governo em 1917. Eles
acreditavam que só o comunismo poderia trazer felicidade para os russos. No
poder, eles tentaram realizar e criar uma sociedade onde todos fossem iguais e
livres.
Para realizar esse sonho, foram tomadas várias medidas:
- As terras da Igreja, nobreza e burguesia foram
desapropriadas e distribuídas aos camponeses.
- Quase tudo se tornou propriedade do estado
(fábricas, lojas, diversões, bancos, etc.)
A ideia
dessas medidas era criar igualdade entre os homens, pois, segundo o Marxismo,
sem propriedade não haveria exploradores e explorados. Várias foram às
dificuldades que surgiram durante o governo e o novo regime se tornava mais
autoritário, distanciando cada vez mais o sonho de criar uma sociedade onde
todos fossem livres e iguais.
Em
1921, foi permitida ao povo a abertura de pequenos negócios, pois a sociedade
precisava ser estimulada. Os camponeses voltaram a produzir para vender no mercado
e as grandes empresas estatais passaram a considerar as necessidades de consumo
do povo.
Esta
série de medidas ficou conhecida como Nova Política Econômica (NEP)
e teve resultados satisfatórios no campo econômico, porém no campo social não
foi tão bom assim.
No
campo, surgiram camponeses ricos que pagavam um salário para outros camponeses.
Para os comunistas essa atitude representava a volta da exploração capitalista.
Nas cidades, os grandes empresários lucravam com essa nova economia e isso
fortaleceu o aumento das desigualdades sociais.
Após a
morte de Lênin, Trotsky (chefe do exército) e Stálin foram os dois líderes que
disputaram o poder. Stálin saiu vencedor. Decidido a industrializar o país, ele
só podia contar com dinheiro que vinha da agricultura, já que não podia fazer
empréstimos internacionais por causa da pobreza em que o país se encontrava. Para
aumentar a produtividade, foram criadas as fazendas coletivas e muitos
camponeses foram obrigados a entregar o gado e as terras ao estado para
trabalharem (contra a vontade) nestas fazendas.
Nas
fábricas, os operários foram proibidos, sob ameaça de morte, de fazer greve ou
mudar de emprego. Apesar disso, as metas de Stálin foram alcançadas e a União
Soviética passou por um processo de modernização e industrialização. Porém, o
totalitarismo implantado por Stálin na URSS mantinha um rígido controle sobre a
imprensa e a cultura em geral.
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